Estereótipos: Fabricação X Desconstrução.
A nossa percepção e assimilação da realidade passa por corredores isotópicos, como foi proposto por Izidoro Blikstein no livro Kaspar Hauser ou, a Fabricação da Realidade. Na visão ocidental, o branco está posto como meliorativo em detrimento do preto, sempre no sentido pejorativo. Quando o dia é ruim é um “dia negro”, quando a coisa não vai muito bem ela está “preta”! Assim, e mesmo sem perceber, damos vazão e repetimos expressões que reafirmam linguisticamente, o preconceito racial.
Esta forma de ver o mundo está ligada diretamente com o nosso passado colonial e escravocrata. No entanto, um questionamento, tal qual o do ovo e o da galinha, persiste: Quem surgiu primeiro o Racismo ou a escravidão??
Os discursos pretendidos a legitimação da escravidão pregavam o negro como preguiçosos, bárbaros e inferiores racialmente. A escravidão, vinda, do tão pregado salvacionismo, era necessária para tornar civilizado o escravizado. Ora, como aceitar que exploração, maltratos e discriminação ‘civilizem’ alguém? E como aceitar essa proposição de linha evolutiva, onde se parte do inferior para o superior, no caso e sempre, o europeu?
Assim, o preconceito surge da escravidão e, para ser mais preciso, dos discursos formulados para sua legitimação. Mas, como explicar a persistência, inclusive lingüística, deste estereótipo? A resposta, não poderia ser diferente: Preconceito. Afinal de contas, quantos livros, capítulos, disciplinas ou mesmo textos sobre nossa origem afro-descendente você teve acesso no ensino fundamental, ou mesmo médio? Quantos teóricos africanos você pode citar? De quais deles vocês se apropriou? A resposta, infelizmente, para os questionamentos “é pouco, é quase nada”[1].
Assim discursos foram formulados sem a intervenção direta de quem se fala no imaginário coletivo, que tornou o africano, e seus derivados, em o outro, o diferente, e atualmente o exótico instigador!
É preciso apropriação dos termos, falas precisam ter coerência, discursos dialéticas, visão criticidade. Não podemos mais comprar os modelos pré-fabricadas pela mídia.
Assim, surge esse espaço, vamos nos atentar para o que rola na net, na mídia, no senado, na câmaras de vereadores e deputados... vamos, não só consumir o que nos dizem, vamos problematizar!

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